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 Um dia desses, estava de bobeira em casa e tive uma vontade enorme de ler uma HQ. Peguei uns trocados, fui até a livraria mais perto e voltei rapidinho. De volta em casa, dei de cara com minha mãe que logo disparou: "por que você gasta dinheiro com "isso" ?!" Fiquei um pouco sem reação e, mais do que indignada, eu fiquei intrigada: Por que ela discrimina a HQ?! Comecei a lembrar outras frases que já havia escutado antes, como por exemplo: "Isso não dá futuro" ou "isso não é literatura". Mas afinal, o que é literatura? E qual o problema com as histórias em quadrinhos?

          

Em busca destas respostas, descobrimos que existem dois tipos de literatura: a literatura canônica e a paraliteratura. Segundo a pesquisadora espanhola Gemma Lluch, na literatura canônica, o estilo é fundamental, já na paraliteratura o estilo é secundário e enquanto um usa muitas palavras em forma de metáfora, o outro possui uma linguagem mais simples e repetitiva. No texto paraliterário, os esquemas são baseados em estereótipos; já nos canônicos os personagens são centrais e cheios de características psicológicas. É muito comum na paraliteratura que o autor se preocupe em transformar sua história em vendas, prosseguir com sagas e lançar canecas, bonecos, almofadas – em outras palavras – dinheiro vivo na mão ($).

 

Ok, entendemos, compreendemos e até aceitamos que há, sim, uma diferença colossal entre um livro de Machado de Assis e um mangá de Akira Toriyama, mas isso não justifica "preconceituá-los". Para nós, elas podem coexistir. Depois de entender melhor sobre essa questão de literatura e paraliteratura, fomos em busca da segunda pergunta: Qual o problema das histórias em quadrinhos? E na boa, não encontramos! ;)

 

Conversamos com o escritor de HQs e jornalista (super recomendo), Daniel dos Santos [aplausos], e super nos identificamos com suas ideias. Os conteúdos das HQ´s são inteligentes, críticos e muitas vezes ácidos e requerem uma boa dose de conhecimento.  Calvin & Haroldo e as histórias de Mafalda, por exemplo, são envoltos em críticas sociais, problemas e pensamentos da sociedade da época em que foram produzidos. E atuais até hoje, diga-se de passagem!

 

Além das HQ´s, temos os mangás, que trazem histórias de outros países, como o Japão. Com essa leitura, podemos conhecer esta cultura tão distante da nossa. Paulino Barnabé (que também assina essa matéria), por exemplo, aprendeu a base do japonês lendo mangás e assistindo animes. Nos deparamos com pensamentos diferentes, crenças (intensamente diversificadas), estilo de vida, inspirações, tudo isso de um modo que não vivenciamos na escola. Nosso ensino parece estar muito ligado apenas às culturas americanas e europeias, infelizmente. Depois, reclamamos da visão estrangeira de que no Brasil só temos carnaval e futebol. Mas mesmo por aqui, a maioria das pessoas acha que o Japão é só comida crua e olhos puxados.

 

Também fomos conversar com nossos professores de português e literatura. Todos disseram que acham legal a leitura de HQ´s e Mangás, que podem ser uma forma de iniciar o gosto pela leitura. Mas, de acordo com nossa realidade e com nossa loooonga experiência escolar, nós nunca tivemos incentivo para ler HQ na escola. Isto é um contrassenso?

 

Vamos nos revoltar!!! Não, não vamos não. Mas se as HQ`s são um jeito de estimular a leitura e os jovens gostam, por que então discriminá-las assim?!  Não é porque eles são produções e estilo diferentes dos textos canônicos, que a paraliteratura não sirva pra nada. Tem muito conhecimento, aprendizagem e histórias legais e nós, jovens, AMAMOS. Obrigada, de nada!さよなら! ><

 

 

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