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Fãs do Impossível

 

O livro Fãs do impossível impressiona. Uma história contada por três personagens diferentes, com três pontos de vista e três dores diferentes, mas uma única solução: batatas fritas e uísque!

O primeiro desses personagens é Mira, menina frágil e doce, que sofre com depressão e tantas vezes mal consegue sair da cama. Muito talentosa quando o assunto é artes manuais, adora um brechó e mostra um admirável gosto pelas coisas exóticas. Vive problemas com os pais, que a julgam desanimada e desmotivada. Para completar a tristeza, Mira tem a irmã perfeita, que estuda direito, é magra, bonita e esportista. As constantes brigas e várias comparações entre as duas deixam-nas cada vez mais distantes uma da outra.

Acompanhando a trajetória de Mira, me senti tocada a cada choro. Após as inúmeras brigas com seus pais, meu coração se apertava, pois ela nunca se sentia compreendida e não tinha a atenção e amor necessários. Porém, no meio dessa confusão sentimental familiar, Mira também contava com uma válvula de escape: o fiel companheiro Sebby e um novo amigo, Jeremy, figura que também tem uma vida complicada por ser gay e ter dois pais.

Quando, em cada recaída de sua depressão, Mira se julgou inapta a viver, eu torci para que ela se reanimasse. Em cada palhaçada de Sebby, na tentativa de alegrá-la, eu sorri, esperando que ela também sorrisse.

Já com Jeremy temos um outro ponto de vista para esse livro emocionante. Com suas rápidas e reservadas falas, senti a vergonha dele de se declarar gay. O medo da rejeição o prendia à uma vida solitária. A insegurança impedia Jeremy de se sentir livre. O receio de ser vítima de brincadeiras por causa de sua orientação sexual o assombrava. Ao mesmo tempo, reconheci também a coragem de enfrentar seus dilemas.

Na alegria de poder se expressar, no apego aos recém-adquiridos amigos, no calor da paixão que nasceu em seu peito senti também o apego e a vivacidade de Jeremy. Tive vontade de participar daqueles momentos, que pareciam tão reais e divertidos. Uma ida ao botequim da esquina, batatas fritas murchas e uma liberdade que o afastava de seu mundo solitário. Encontrou pessoas em quem se poderia confiar, contar sobre sua vida e seus dois pais.

Por fim, o grande amigo de Mira, Sebby, nos dá o terceiro e último olhar sobre a história. Um olhar muito mais alto astral, vale dizer. Ele se mostra um pouco louco, dono de uma aura vibrante e alegre e, com isso, me contagiou. Vítima recente de homofobia, ele não se deixa abalar, mantendo-se sempre o rei das ideias mirabolantes. Com uma garrafa de uísque na mochila, deixa de lado seus problemas, em nome da amizade. Quando Sebby sorria por fora, mas chorava por dentro, senti o amor que tinha pelos amigos. Quando se preocupava com o bem-estar deles, colocando-se em segundo lugar, chorei suas partidas e me apaixonei pela sua inconstância.

Muito mais do que as palavras escritas neste livro, os sentimentos presos nas entrelinhas me levaram a sentir uma felicidade enorme, assim como uma profunda tristeza diante da inconstância das relações humanas. Histórias fictícias, mas possíveis de serem vividas todos os dias nas escolas.  Pessoas que vivem nas sombras, com medo da rejeição dos pais ou de se aventurarem. Fãs do impossível nos faz pensar em atitudes mínimas para sermos melhores e vivermos mais felizes em nossas condições.

Enfim, ao terminar esta maravilhosa, emocionante, romântica e embriagada aventura, descobri que, para suportar os problemas diários dessa nossa turbulenta existência, uma dose de uísque (com uma pitada de loucura) e batatas fritas podem ser o refúgio para seguirmos em frente!

 

 

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