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Quatro reais de sabedoria urbana

 

 

Não acredito que mais uma vez eu paguei R$4 em uma passagem de ônibus para nem conseguir ir sentada. Mas, como sempre faço, espero o ônibus em um ponto anterior ao ponto final, para pegar uma cadeira e ir com o mínimo de conforto possível. Eu chamo isso de sabedoria urbana.

 

Hoje em dia, viver não é uma atividade fácil, mas se a gente analisar todo o passado humano, a vida nunca foi fácil. Antes você poderia morrer ao trabalhar mais de 12 horas em uma fábrica, hoje você pode morrer com seu celular carregando perto de você ou em um acidente de trânsito. Nunca se sabe.

 

Eu começo a pensar isso quando, finalmente, uma moça sai da cadeira alta do ônibus com milhares de sacolas de supermercado. Uma das piores partes de não se ter um carro é essa: fazer compras e ter que levá-las de ônibus. Rapidamente tiro esse pensamento da minha cabeça ao imaginar minha mãe falando: “pelo menos você tem dinheiro para fazer compras”.

 

A viagem até minha casa não costuma durar mais de 20 minutos, um tempo avaliado em 6 músicas de 3 minutos. Me sinto bem em pensar que mesmo após um dia cansativo eu ainda tenho minhas músicas para me aliviar. São sempre as mesmas. As mesmas dez. Acredito que sou um ser de hábitos que não gosta de mudanças.

 

Agora já sentada começo a pensar em como meus pais realmente me ensinaram a sobreviver na vida urbana. Não sei vocês, mas não tive uma infância rica, então para ir à creche meu pai levava a mim e uma vizinha na moto, ao mesmo tempo. Acho que é por isso que essa minha vizinha não fala mais comigo. Minha mãe nunca deixou que falassem grosso ou a acusassem, também conhecida como mulher barraqueira, isso me fez nunca deixar que me tratassem mal.

 

Mas mais do que isso, eles me ensinaram o que é trabalhar duro, nem sempre recebendo o que é justo por isso, mas ainda assim, trabalhar.

 

Quando o ônibus começa a descer o pequeno morro da minha casa, vejo meu pai saindo para o trabalho, ainda com o portão aberto, e ele começa a ficar bravo assim que me vê. “Esqueceu a chave de novo?”, eu só concordo com a cabeça e dou um abraço nele, esperando que ele volte no outro dia para casa.

 

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