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Elzinha ainda incomoda muita gente

 

 

 

 

Gentem, hoje vou falar sobre “Elzinha”, é assim que o Zeca Camargo chama Elza Soares grande parte do tempo durante sua palestra sobre seu novo livro Elza. Logo de cara percebe-se que ele sente muito carinho por essa mulher, negra, artista, ousada, com sua história feliz e triste, linda e forte - improvável. Uma história que é muito conhecida para alguns e pouquíssima para outros, o objetivo dele é honrar e (re)apresentar esta grande mulher. Durante todo o processo eles fizeram mais de cinquenta entrevistas e criaram uma narrativa mais solta, ziguezagueando no tempo de vida e carreira da Elza. O livro quer passar a sensação de estar na sala junto com os dois ouvindo os fatos, a voz dela sempre em primeiro lugar, que descobriu depois dos oitenta anos uma força que não sabia, ela tem pessoas para ouvi-la, conta Zeca.

 

Um fato destacado durante o bate-papo com o jornalista é que Elza não queria que o livro fosse uma história com o Garrincha! A biografia dela conta sobre o período em que ela foi casada com ele, sobre como a música e o futebol foram enorme destaque na década 50 do Brasil, ele os compara a Bruna e Neymar, mas o casamento não é o destaque, ELA é. Um destaque que ela sempre mereceu, quando aos catorze anos começou sua carreira, não tinha oportunidades para uma negra cantar e poder sustentar sua família, mas isso não a impede, ela sobe para se apresentar em palcos sem permissão, mas quando a Elza Soares abre a boca para cantar, as outras se fecham. Na verdade Elzinha sempre “incomodou” muita gente e ainda nos dias de hoje, ela dá voz a menina jovem, negra e da periferia - e infelizmente, essa não é uma voz que todo mundo quer ouvir, contudo quanto mais te tiram, mais Elza te dá! E apesar de ser passada para trás por não ser branca, continua a lutar pelo seu sonho. Uma das perguntas da platéia para Zeca foi: qual seria a representatividade para a cantora quando moça, e a resposta dele foi “Dela!”.

 

Se você já sabe um pouco de sua história, sabe de todo o percurso da perda de 4 filhos, e aos oitenta e seis anos conta que seu maior desejo é que sua família esteja bem. Durante a palestra ele conta que ela é muito maternal e que ela ensina resiliência, a crescer como pessoa, a como ser inteiro - triste e alegre. Também conta como o livro o fez melhorar como jornalista, o valor de uma história bem contada, e como a memória é labiríntica, apesar de Elza se lembrar muito bem de nomes e números, ele complementa os fatos que ela não se lembrava com a pesquisa jornalística. Um dos fatos que Zeca conta durante a palestra, é de quando Elza é novinha ainda, precisa de uma roupa para ir em uma entrevista, e teve que utilizar alfinetes para apertar uma roupa “chique” de sua mãe, Desde então o alfinete é seu símbolo.

 

Os impactos criados em mim durante esse bate-papo foram, literalmente, a apresentação dessa grande mulher para mim, uma garota de 17 anos, branca e do interior que sabia quem ela era mas não conhecia a profundidade e importância que ela tem na vida de muitas pessoas, do quanto ela inspira as pessoas, e de suas batalhas. O que antes era só um nome famoso mas vazio para mim, criou intensidade e significado sobre toda uma vida improvável e incrível.

 

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