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Uma câmera na mão, um sol na cabeça

 

 

O Brasil possui tantas facetas, culturas e histórias que uma das poucas coisas que nos mantém unidos é a língua portuguesa. Vivências e tradições que são perdidas ou ofuscadas seja pela distância ou pelo privilégio de algumas regiões em detrimento de outras. E é a realidade do interior do sertão nordestino que filme, e também livro, Vidas Secas pretende apresentar para o resto de nosso vasto país.

 

Como parte da programação Flipoços 2019 o clássico filme de 1963 foi exibido no Instituto Moreira Salles, domingo, dia 28 de abril. O filme retrata a vida de uma família nordestina que passa pela miséria e pela seca no ano de 1945, viajando sob o sol escaldante do sertão.

 

A história simplesmente começa e simplesmente acaba, assim como a vida, não existe um ponto de partida ou de conclusão. A câmera apenas deseja filmar o máximo possível dessa realidade.

 

Tal estilo quase documental da história é característico do Movimento Cinema Novo Brasileiro, cujo lema era “Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”. As longas imagens tremidas gravadas e o trabalho na edição criam uma realidade extremamente imersiva da trama.

 

O Cinema Novo assemelha-se no caráter crítico e temático com o Movimento Literário Modernismo.  Este movimento possui um viés intimista e com conflitos internos, assim como o livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Representando um desafio para a adaptação cinematográfica dirigida por Nelson Secas Pereira dos Santos.

 

Por essa razão que o som ganhou uma atenção especial. O filme é praticamente mudo, em boa parte da trama é possível apenas ouvir latidos de cachorro, estrondo dos carros de boi e os demais elementos que compõem o cenário árido. Porém, o som revela o verdadeiro tema da trama de Vidas Secas: o desabafo.

 

A maior parte dos diálogos, na realidade, são a expulsão, a liberação de sentimentos presos dos próprios personagens. Na raiva, no desejo, na frustração, na melancolia e na esperança de uma vida melhor. A miséria moral tão destruidora quanto econômica.   

 

O nordeste brasileiro da década de 40 era o nosso Faroeste. Todos os elementos estavam lá: os grupos de criminosos, os coronéis, o intenso calor do sol, o predomínio da zona rural e a lei ineficaz. E ainda o filme Vidas Secas apresenta segmentos de suspense que se encaixam perfeitamente com a orquestra de Ennio Morricone.

 

Mas diferente dos Estados Unidos, não exaltamos o nosso Faroeste. No western norte-americano eles procuravam por novas terras, enquanto no nordeste brasileiro a região já era casa das primeiras cidades do país. Contudo, os locais foram desvalorizados com o passar do tempo. Justamente essa crítica que Vidas Secas propõe, questionando também o poder do estado. Afinal, não gostamos de lembrar que, no interior nordestino, a miséria ainda é presente. Porém evocar tal fato por meio de livros e filmes é necessário para que seja possível a mudança, a atitude e, quem sabe, melhorar a vida brasileira.  

 

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