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A graça dos Mitos

 

 

“É tão difícil escolher um universo favorito de lendas e mitos, quanto se decidir por um prato preferido” - Neil Gaiman  

 

O mundo é perigoso, traiçoeiro, desconhecido e as misteriosas forças da natureza agem a seu bel prazer. Nós, mortais, podemos apenas tentar compreender o planeta em que vivemos e nos adaptarmos. Isso era o que os povos antigos faziam, procuravam por uma lógica para as guerras, os invernos rigorosos, os terremotos, as secas e os animais predadores. Narravam histórias épicas sobre deuses, suas motivações mundanas e as consequências de seus atos para os homens. Tais histórias são conhecidas hoje como mitologia.

 

Grega, Celta, Egípcia, Eslava, Chinesa. Todas as mitologias compartilhavam conflitos entre o bem e o mal, a presença de seres e criaturas fantásticas, o contato entre o mortal e o divino e revelavam o que viria depois, após a morte. São o retrato de como viviam os povos, as histórias estavam diretamente ligadas à fauna, flora e com o contexto histórico da região.

 

Mas o tempo foi cruel com muitas delas, incluindo a Nórdica, a mitologia dos Vikings, dos Povos Bárbaros, Escandinavos ou Dinamarqueses. Povos guerreiros e navegadores que viviam nas partes mais geladas da Europa em tribos, na Dinamarca, na Noruega e na Suécia. Eles invadiram quase que toda a parte ocidental do Velho Continente, incluindo Inglaterra e França. E estudos indicam que tenham entrado em contado com a América.

 

Perdemos muito da mitologia dos povos nórdicos, tanto pela influência cristã na região, quanto pela predominância da tradição oral. Apenas temos acesso a poucas prosas e versos que foram compilados nos Eddas, no século XIII, e nas Sagas Islandesas. A partir desse material, Neil Gaiman escreveu um de seus romances mais recentes, Mitologia Nórdica, de 2016.

 

Elementos nórdicos sempre foram recorrentes nos trabalhos de Neil Gaiman, como em Deuses Americanos e Sandman. O escritor britânico é fascinado por seres divinos, por mundos fantásticos e pelos mitos e lendas. Já satirizou a relação entre céu e inferno cristãos em seu livro Belas Maldições e já imaginou como seria a criação cósmica dos seres humanos, no quadrinho da editora Marvel, Eternos.   

 

Em Mitologia Nórdica, Gaiman descreve uma versão diferente de Thor, Loki, Odin e as Valquírias em comparação com os filmes e comics Marvel. Seu objetivo aqui foi parafrasear de forma fiel as histórias escandinavas, em uma linguagem mais moderna e dinâmica. Com a intenção de atrair mais leitores para o universo épico dos Vikings.

 

O livro é formado por 15 contos extremamente pequenos, sendo selecionados e moldados, passando pelos momentos mais importantes desse universo. Mitologia Nórdica ainda apresenta um prefácio com experiências de Neil Gaiman e, no final, temos um glossário com todos os nomes importantes que compõem os Nove Reinos.

 

Os Nove Reinos são os lares de todas as criaturas e seres fantásticos. Elfos, Anões, Gigantes, Humanos. O lar humano, Midgard, foi criado a partir do corpo do gigante ancestral Ymir. Os mortos honrados vão para Valhalla, o salão de festas e bebidas dos deuses no Reino de Asgard. Uma grande diferença das histórias originais para as modernas é a figura do Loki. Ele não é um vilão, mas sim, um ser astuto que gosta de pregar peças, podendo ultrapassar os limites morais. A construção antagônica do Deus da Mentira, se dá pelo contato do catolicismo.

 

O que mais assusta Gaiman na mitologia dos Vikings, é o destino final dos deuses e dos mortais. Todos os contos do livro são relatos de um passado distante e acabado, mas sua última história, o Ragnarok, narra algo que ainda irá acontecer, quando gigante de fogo Surt, o lobo devorador de mundos Fenrir, a guardiã dos mortos desonrados Hel e a gigantesca cobra Jormungand irão destruir os Nove Reinos.

 

O livro Mitologia Nórdica é rápido para se ler e tem um vocabulário simples. Obrigatório para qualquer fã de fantasia e de mitos. São histórias que vão do estranhamento à catarse completa. Tais mitologias influenciaram muita coisa que viria a seguir: como elementos da língua inglesa e alemã modernas, datas comemorativas e os dias da semana. Além de uma quantidade enorme de filmes, livros, jogos e músicas: nas óperas de Richard Wagner, nos jogos como God of War e Hellblade, na criação de várias bandas modernas e de músicas como Immigrant Song, de Led Zeppelin. E inspirou fortemente a escrita de J.R.R.Tolkien e de muitos outros autores europeus.

 

Ao embarcar nessa jornada pelo universo Viking, não haverá mais volta. O inverno sombrio congelará a alma do leitor e a única forma de aquecimento será a procura e o compartilhamento de novas histórias. Contando narrativas que vão além do trágico fim do deus Balder, dos contos dos irmãos Frey e Freya, e de quando Thor teve que se fantasiar de noiva. Afinal, essa é a graça dos mitos.   

 

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