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Livros podem cometer crimes?

 

 

As histórias Noir são violentas, sujas, chuvosas, escuras, urbanas, pessimistas e revelam muito sobre a sociedade. O termo francês que significa negro, algo noturno, o Noir possui raízes em Edgar Allan Poe, Agatha Christie e Arthur Conan Doyle. Esses autores utilizaram da estrutura Whodunit, cujo foco era uma investigação criminal pelas ruas das grandes cidades. O gênero detetive modificou-se após as Guerras Mundiais, pois a população passou a enxergar a sociedade como algo trágico e ausente de esperança.

 

A Flipoços 2019 trouxe mais uma vez o Quinta-Feira Noir, minha parte favorita do evento. Três escritores foram convidados para falar sobre o tema “Como escrever romances policiais no Brasil violento de hoje?”

 

Ronaldo Bressane prefere o termo “romances criminais” e comenta que na maior parte das histórias Noir, a polícia é incompetente ou corruptível sendo alguém de fora a solucionar o caso. O que ele considera mais interessante é a luta dos protagonistas para manter seus valores num universo degradado.

 

O escritor acredita que as histórias Noir são uma análise da mente humana, pois a violência faz parte de sua natureza e compreender a origem dos crimes é o primeiro passo para acabar com eles. Ainda afirma que a crueldade não só é reveladora, como pode acontecer em qualquer lugar. Bressane comenta ainda sobre o lançamento do seu mais recente trabalho “Escalpo”, uma história Noir que se passa em Paraty, cidade do Rio de Janeiro com altos índices criminais.

 

A segunda convidada foi Vera Carvalho, autora da série policial “Detetive Alyrio Cobra” com a cidade de São Paulo como cenário. Sempre foi fã da literatura Noir e se divertia elaborando crimes fictícios a partir das notícias de jornal.

 

Argumentou que histórias desse gênero são presentes em todo o mundo, por exemplo nas regiões nórdicas. Apesar dos índices de crimes serem extremamente baixos, a Suécia já produziu histórias ficcionais violentíssimas, como a Série Millenium. Inclusive, a Noruega é a casa do escritor Jo Nesbo famoso no meio da literatura detetive. Defensora do Happy End, final feliz, Vera Carvalho possui a filosofia de entregar algo para o leitor como recompensa, mesmo que seja apenas a revelação do criminoso.  

 

E ainda tivemos Wellington Budim, foi o mais tímido do bate papo, autor do livro “Teu Pecado” e vencedor do Prêmio Bellas Artes Literatura 2018. Escreveu romances policiais durante toda sua vida, mas demorou para publicá-los de fato.

 

Suas histórias se passam nas ruas de São Paulo, com foco na construção de personagens mais humanos, sem rótulos de mocinho ou vilão. Sempre manteve em mente criar mortes passionais, com diferentes emoções envolvidas entre a vítima e o assassino.

 

Entre autores tão diversos, existe um aspecto presente na escrita dos três: o uso do crime como pretexto para uma crítica social. As grandes histórias possuem duas linhas narrativas, o explícito e o implícito, este último  representa a verdadeira mensagem entrelinhas. Talvez as Grandes Histórias sejam aquelas capazes de entreter, mas, ao mesmo tempo, expor a realidade através da ficção. Acredito que o verdadeiro poder dos romances Noir seja o de revelar os problemas da sociedade em um processo de suspiro, de liberação e de resistência em um Brasil violento.

 

 

 

 

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