18 Nov 2019

Please reload

Posts Recentes

5 Filmes Inspirados em Livros

9 Nov 2017

1/4
Please reload

Posts Em Destaque

Histórias soterradas de Tolkien

 

 

O mundo épico e fantástico de J.R.R Tolkien é um deleite para qualquer leitor. A Terra-Média nos é apresentada em O Senhor dos Anéis, O Hobbit e Silmarillion, um universo inspirado nas mitologias latinas e nos contos da Europa Medieval. A mente de Tolkien criou (ou sub-criou) histórias sobre elfos, anões, hobbits, orcs, magos, o nascimento e a queda de reinos. Seu objetivo era narrar a lenda definitiva da Inglaterra, mas foi além, escreveu os “mandamentos” para qualquer história de fantasia que viria depois.

 

No entanto, ele escreveu muitas outras grandes histórias em momentos diferentes de sua vida. Seja para sua esposa, para seus filhos, ensaios, encomendas de editoras,  traduções e paráfrases de livros clássicos, sem falar da quantidade de material que foi esquecida, descartada ou engavetada pelo autor. Hoje temos acesso a boa parte desse conteúdo, devido ao resgate e a edição realizada pelo seu filho Christopher Tolkien.

 

Apesar de algumas dessas outras obras expandirem o universo da Terra-Média, são menos comentadas e por vezes ignoradas pelos leitores. Na realidade, elas escondem um gostinho a mais para os inúmeros fãs órfãos da saga de Tolkien. O Mestre da Fantasia revela novas e surpreendentes  facetas de sua personalidade e de imaginação nelas.

 

Há algumas semanas, maratonei dois livros “resgatados” do autor. Ambos narram histórias bem simples, curtas, prazerosas e capazes de serem lidas em uma tarde. Foram escritas originalmente para seus filhos e depois reeditadas. Tolkien trabalhou muito para tentar publicar esses livros.  Apesar do teor de fábula, são essenciais para qualquer fã de fantasia e admiradores de uma boa história.

 

O Mestre Gil de Ham

 

Enquanto Tolkien estava escrevendo a continuação de O Hobbit, o que viria a ser O Senhor dos Anéis, ultrapassou o prazo de entrega da editora. Foi então que resolveu publicar um substituto temporário, e a partir de suas anotações criou Mestre Gil de Ham.

 

O livro narra, rapidamente, a história de um fazendeiro que vive tranquilo em sua vila na Inglaterra medieval, na época dos Bretões, e após o aparecimento de um gigante e de um dragão, sua vida muda por completo. O protagonista possui, em certos aspectos, uma personalidade semelhante com a do Bilbo Bolseiro e a estética me recordou ao do jogo eletrônico Skyrim.

 

Se você já jogou RPG de mesa como Dungeons & Dragons, a história irá certamente lembrar de uma campanha casual, em que, os jogadores sobem de level muito rápido e ainda vão contra a história do mestre só para irritá-lo.

 

Como curiosidade, em algumas versões da publicação é possível ler materiais extras, como notas de Tolkien para a continuação que nunca foi finalizada, “Mestre Gil de Ham 2”, e ainda apresentam a primeira versão manuscrita da história, em que, percebe-se mudanças de linguagens, acréscimos e cortes de cenas.

 

Roverandom

 

A segunda obra é Roverandom. Quando a família do autor viajava de férias, seu filho, Michael Tolkien, perdeu um cachorro de brinquedo na praia. Para consolá-lo, o escritor criou uma história sobre o que aconteceu com o boneco. Mesmo com o filho perdendo o interesse no conto, o pai passou a desenvolvê-lo com mais detalhes e complexidades.

 

O principal ponto do livro é o jogo de palavras, pois Tolkien era formado em línguas na Universidade de Oxford e, por isso soube criar pronúncias e alfabetos originais para as raças da Terra-Média.  No caso desse livro, o autor brincou com as múltiplas possibilidades da língua inglesa, desde o nome dos personagens até com meros trocadilhos.

 

Aos fãs, saibam que Roverandom inspirou muitos de seus trabalhos futuros. Os três magos que aparecem na história possuem personalidades muito parecidas com outros que viriam a seguir, como Gandalf. Lugares seriam reinventados, como a Floresta das Trevas e a Montanha da Perdição. Nomes foram retomados. A história possui ligação direta com o universo de Cartas de Papai Noel, outra obra de Tolkien. Enfim, Roverandom foi descrito como “um conto de fadas em vários estilos”.

 

O linguista, ainda, tentou publicar o livro em uma editora que gostou da história, mas que queria algo que envolvesse os famosos hobbits. Tolkien então freou a história de Roverandom e começou a trabalhar em O Senhor dos Anéis.  

 

Futuro e Legado

 

Esses dois livros são só um recorte de como Christopher, que acabou de se aposentar com seus 94 anos, foi tão importante para a fantasia quanto o próprio pai, J.R.R Tolkien. Foi ele quem reuniu os escritos de Roverandom, quem fez um prefácio completo sobre todos os detalhes da obra e adicionou notas no final. O mesmo foi para Mestre Gil de Ham e para muitos outros que virão a seguir.

 

Em 2019, chegarão no Brasil coletâneas de obras inéditas de Tolkien após sua edição. Também temos o lançamento do filme da biografia do autor britânico em maio deste mesmo ano. Jogos como Shadow of Mordor estão atraindo cada vez mais o público para a Terra-Média e, não o bastante, a Amazon Prime confirmou uma série baseada no universo do Mestre da Fantasia. Sem falar da já existente trilogia dos filmes de O Senhor dos Anéis que totalizou 17 Oscars.

 

Histórias curtas ou longas, infantis ou adultas, poemas ou romances, Tolkien escreveu das mais variadas formas. Sem dúvida O Senhor dos Anéis, Silmarillion e O Hobbit são suas obras-primas, mas é injusto resumi-lo com esses três livros. A Terra-Média e seus outros mundos fantásticos ainda estão vivos em nossas mentes, seja quando lemos Harry Potter, quando jogamos Warcraft ou quando assistimos Game of Thrones.

 

J.R.R Tolkien morreu em Setembro de 1973, levando consigo infinitas ideias que nunca conseguiram escapar de sua mente, estão soterradas assim como os tesouros dos dragões nas profundas cavernas. E a única coisa que podemos fazer é sentar perto de uma lareira, acender um cachimbo e, em nossa toca no chão, ler seus livros.

 

Please reload

Please reload

Arquivo
Logo-Revista-02.png