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Sobre livros que te fazem voar, mesmo sem sair do lugar.

 

 

Nunca senti tanta responsabilidade em escrever um texto quanto estou sentindo agora. Estou prestes a contar a vocês sobre o livro que mais me tocou e me encantou até hoje, tornando-se meu preferido. Quando alguém me pede indicação de uma obra, é sempre essa que recomendo. O título que merece toda essa atenção é Passarinha, da autora Kathryn Erskine. Publicado em 2013, o livro narra a história de Caitlin, portadora da Síndrome de Asperger, um transtorno de aspecto autista. Seu irmão, Devon, foi assassinado em um tiroteio em sua escola, e Caitlin precisa lidar com essa triste situação junto ao seu pai.

 

O grande destaque de Passarinha é, sem dúvida nenhuma, a escrita da autora. Na edição brasileira somos abordados primeiramente por uma nota de tradução, explicando que não é possível extrair todo o significado por trás da construção da história senão lendo a obra original – embora a tradução tenha ficado excelente. Erskine se demonstrou uma escritora brilhante, acrescendo múltiplas camadas de significado às palavras e utilizando dos potenciais semânticos para construir uma história profunda e emocionante.

 

Outro ponto de grande destaque é a maneira como a autora consegue construir uma narrativa infantil que é verossímil. Somos contemplados com uma história que realmente parece ser narrada por criança. A fala é por vezes afobada, ansiosa, traduzida em pontuações ausentes ou presentes em excesso. Nos sentimos realmente imersos na obra, muitas vezes até esquecendo de que o livro foi escrito por uma adulta.

 

É incrível como Erskine consegue abordar a Síndrome de Asperger de maneira sensível. A personagem Caitlin demonstra suas ansiedades e dificuldades da forma mais pura, com a inocência de uma criança e demonstrando seu modo peculiar de ver o mundo. A pequena enfrenta dificuldades como a prática da empatia e a construção de relações sociais, mas também demonstra seus dons extraordinários para desenho e literatura, por exemplo. É um livro que desperta em nós, leitores, o conhecimento sobre uma condição com a qual raramente temos contato – tal como o livro “Como Eu Era Antes de Você” mudou a minha percepção sobre a acessibilidade para pessoas com deficiência.

 

Ao longo da história, acompanhamos a evolução emocional de Caitlin e de seu pai, enquanto passamos por referências à obra “O Sol é para Todos” (Harper Lee, 1960). Somos apresentados a situações cotidianas que se tornam um desafio para uma família em processo de luto, e é impossível não se emocionar em diversos momentos. Ler Passarinha é realmente uma experiência singular e inigualável.

Termino este texto sinceramente insatisfeita, pois sinto que nunca conseguiria colocar em palavras o quanto este livro é incrível e como é especial para mim. Por isso, deixo aqui algumas de minhas citações preferidas, para que vocês possam entender um pouco do porquê de essa obra ser tão especial.

 

“Ela colocou um X em cima do C de Coração e escreveu um c minúsculo. Não parece certo desse jeito. Tenho certeza de que ela está errada em relação às palavras especiais e às letras maiúsculas mesmo sendo uma professora. Como pode existir alguma palavra mais especial que Coração?”

 

“ – Eca! Ele grita. Você é igual a um cachorro! Babando na manga toda!

Paro de chupar o punho da blusa embora eu não saiba porquê ele disse ‘Eca’. Mas gosto de cachorros. Eles sentam perto da gente e deitam a cabeça no nosso colo. Os cachorros são doces e amorosos. Fico feliz se as pessoas acham que sou um cachorro.”

 

“Às vezes eu leio os mesmos livros uma vez atrás da outra. O bom dos livros é que as coisas do lado de dentro não mudam. As pessoas dizem que não se pode julgar um livro pela capa, mas isso não é verdade porque a capa diz exatamente o que tem dentro. E não importa quantas vezes você leia aquele livro as palavras e imagens não mudam. Você pode abrir e fechar os livros um milhão de vezes que eles continuam os mesmos. Têm a mesma aparência. Dizem as mesmas palavras. Os gráficos e ilustrações são das mesmas cores.

Livros não são como pessoas. Livros são seguros.”

 

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