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O que é o ser humano? Quais são os nossos desejos e receios mais profundos? A nossa espécie evoluiu mesmo? Somos tão diferentes dos outros animais? Qual é o limite da nossa moral? Podemos ultrapassá-lo? São essas perguntas que giram em torno dos filmes do diretor Stanley Kubrick. Ele era fascinado pela humanidade, mas não confiava nela nem por um segundo. Suas histórias narram os maiores conflitos internos e externos da nossa civilização, na qual, para ele, a sociedade é frágil e o mundo está à beira do colapso, mas no meio desse pessimismo não se furtava ao apresentar pequenos e sorrateiros brotos de esperança.

 

Considerado por muitos, incluindo a mim, como o melhor diretor de todos os tempos, Stanley aventurou-se pelos mais diversos gêneros do cinema, seja no horror, na ficção científica, na guerra, na comédia e nos amores proibidos, conseguiu criar verdadeiros clássicos e intocáveis obras de arte.

 

No meio de obras tão diferentes, o elemento pessimista e crítico é o foco das tramas, mas seus filmes não são apenas similares, como também se complementam. Algo que o crítico francês Michel Ciment analisa no livro, Kubrick. Ele levanta que cada história de Stanley é uma antítese a anterior e se fortalece na temática social.

 

O livro é uma coletânea de entrevistas, depoimentos e análises, cujo objetivo é estudar a mente criativa do diretor, que viveu boa parte de sua vida isolado, longe das câmeras, trabalhando continuamente em seus filmes.

 

Por isso Kubrick é prazeroso e rápido de ser lido, pois Stanley sabia como tornar até mesmo entrevistas mais formais nos assuntos mais divertidos e interessantes. O livro vai além do cinema e dá uma verdadeira aula sobre psicologia, filosofia, sociologia e literatura. Porque, acima de tudo, o diretor era um entusiasta na produção cultural e científica.  Dentre suas inspirações, podemos citar Sigmund Freud, Alfred Hitchcock, HP Lovecraft, Edgar Allan Poe, Friedrich Nietzsche, Ludwig van Beethoven, sem falar da enorme quantidade autores que adaptou para as telonas.

 

Pilares de Kubrick

 

O artista sempre foi considerado um perfeccionista e o livro apresenta os três pilares fundamentais que fortaleceram essa ideia. O primeiro foi o xadrez, Stanley era um exímio jogador e lidava com sua vida como se fosse uma partida.  Essa prática o ajudou a buscar o melhor dos atores, trabalhou com cada um deles individualmente. Muitos carregaram ódios e traumas por este método, contudo outros ficaram agradecidos por terem alcançado o melhor de si. Mas principalmente, o xadrez lhe ensinou a sempre ter o controle absoluto dentro do set de cinema, algo que muitos diretores sonham alcançar.

 

O segundo seria a fotografia, ele trabalhou como fotógrafo durante sua juventude e por essa razão seus takes e enquadramentos são extremamente simétricos. Os movimentos são leves, os detalhes da cena estão estrategicamente posicionados e os segmentos revelam-se espetáculos visuais e sonoros.

 

E por último sua família. Stanley era organizado e metódico com os horários, dentre suas horas de trabalho sempre conseguiu encontrar tempo para esposa, filhos e é claro, para seus gatos.  

 

Principais Filmes

 

É necessário ressaltar que, como um artista provocador, todos os seus filmes foram polêmicos quando lançados e partes dessas histórias também estão presentes no livro. Devido ao seu perfeccionismo realizou apenas 13 longas em sua carreira, posteriormente foram considerados dádivas da história do cinema e influenciaram muitas produções futuras.

 

Por exemplo, O Iluminado, filme de terror psicológico e sobrenatural. Laranja Mecânica, sobre uma sociedade distópica em que a imoral e a violência fizeram parte da rotina da população. 2001 - Uma Odisséia no Espaço, um filme de ficção científica que debate a existência humana e seu desenvolvimento. De Olhos Bem Fechados, uma jornada onírica pelos desejos mais ocultos de um relacionamento amoroso. Barry Lyndon, um dos filmes históricos mais fiéis à realidade, retratando, principalmente, a nobreza da Inglaterra do século XVIII, revelando os segredos e as hipocrisias desse meio. Nascido Para Matar, filme que retrata a guerra do Vietnã, tão crítico e cínico quanto Platoon, de Oliver Stone, e Apocalypse Now, de Francis Coppola.

 

Polêmicas

 

As polêmicas foram várias, uma das mais famosas foi quando Kubrick dirigiu o épico sobre Roma, Spartacus. Nele o diretor não teve total autoridade como artista e, após diversas brigas, negou a existência do filme, apesar de ter vencido seis Oscars.

 

No set de O Iluminado ocorreu muita tensão e estresse entre o diretor e a atriz Shelley Duvall. E ainda, ignoraram as ideias de Stephen King, autor do livro que deu nome ao filme, levando o escritor a adaptar uma versão própria para as telonas.


Teorias da Conspiração

 

Não podemos deixar de citar as teorias da conspiração que rodeiam Stanley Kubrick. Em 2001 - Uma Odisséia no Espaço, realizado em 1968, a reconstrução do espaço sideral foi tão perfeita que muitos afirmaram que o diretor foi contratado para forjar o vídeo do Homem na Lua pela NASA. Essa ideia maluca se fortaleceu quando souberam que Barry Lyndon foi gravado com uma câmera especial da NASA, para que o filme fosse rodado inteiramente à base de luz natural e à luz de velas.

 

Morte e Legado

 

Stanley Kubrick morreu em março de 1999, poucos dias antes da estreia de De Olhos Bem Fechados, filme que, ironicamente, apresenta uma sociedade secreta com a habilidade de assassinar seus inimigos em segredo. O diretor deixou para trás uma pesquisa enorme para um longa sobre Napoleão e também argumentos para a história I.A. - Inteligência Artificial, que foi realizada posteriormente por Steven Spielberg.

 

O livro também apresenta depoimentos e relatos das pessoas mais próximas ao diretor, emocionadas com sua morte, isso inclui Jack Nicholson e Malcolm McDowell. Sem falar do prefácio escrito pelo próprio Martin Scorsese.

 

Enfim, Kubrick é completo, reflexivo e possui uma leitura dinâmica. Com grandes imagens dos bastidores e dos enquadramentos mais famosos desenvolvidos pelo artista.  Direcionado a todo adorador de cinema, das artes ou para quem quer simplesmente debater a sociedade. Finalizo aqui com uma frase, dita pelo próprio Stanley, que resume o seu estilo: “Os filmes poderiam ir bem mais longe do que vão. Não há dúvida de que seria bem agradável ver um pouco de loucura nos filmes. Pelo menos seria interessante assisti-los”.

 

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