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Um criminoso em detalhes

 

  

 

 

CONTÉM SPOILER!!

 

 

Parte I 

 

“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. [...] Pela manhã era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.” - Lolita, Vladimir Nabokov 

 

Ou apenas Dolores Haze, a menina de doze anos que caiu no plano perfeito de Humbert Humbert, sendo submetida a uma infância e adolescência ferradas lindamente por um cara de meia idade apaixonado por “ninfetas” (termo que ele usa para definir garotas de nove a catorze anos, segundo ele, demônios entre as outras e para acha-las é preciso ser um louco ou artista). Porém H.H. nem sempre foi assim, ele justifica seus atos com o grande choque de ter perdido sua namorada aos treze anos de idade, Annabel, seu primeiro amor que morreu jovem por conta de uma doença, deixando Humbert paralisado em um “amor” por garotas jovens. 

 

O tempo passa e, agora adulto, nosso narrador faz de tudo para tentar controlar seus desejos carnais ficando com várias prostitutas jovens, se casando com uma mulher imatura, se divorciando e indo até para a Antártida. Decide se mudar para a América, e quando o lugar que habitaria nos Estados Unidos pega fogo, e ele já negava a oferta de alugar o quarto na casa de Charlotte Haze, ao ver a filha dela repentinamente decide ficar. Deitada no quintal é quase a reencarnação de Annabel, rúbea e seminua com a pele aveludada e seus doze anos de idade, Lolita. 

 

Daí pra frente Humbert se instala no quartinho da casa e fica a espreita de Dolores, que é uma menina hiperativa, com uma personalidade forte, curiosa e até mesmo flertiva, que está na puberdade. Nos primeiros momentos, Lolita parece interessada no novo hóspede francês, que é descrito como bonito e calmo quando visto de fora. Ela conversa bastante com ele, Humbert a protege das broncas de mãe e se aproxima dela, criando uma “amizade” com a garota escondido. Charlotte é uma viúva rica, de pavio curto e desatenta com a filha, que cai no charme europeu de Humbert e se importa mais com o bem estar dele do que com o da filha, se mostrando uma mãe não muito afetiva ou atenta. Certo dia, quando a mãe se ausenta para ir na missa, Lolita acaba sentando no colo de Humbert e ele usa disso para se satisfazer sem ela perceber, chegando até a ejacular. A narrativa é muito sútil na maior parte do tempo, não é um livro com descrições eróticas, e o autor até avisa que alguns podem ficar frustrados com isso, mas ele dá muito a entender. 

 

Lolita fica sem ter para onde correr quando Humbert a busca no acampamento para meninas, dizendo que sua mãe está doente e eles deveriam se hospedar em um hotel na beira de estrada. Nesse ponto Humbert já estava namorando Charlotte a um tempo e já pensava em matá-la, mas sem ter coragem para isso, nem precisou. Ela foi atropelada por um carro logo após descobrir um diário secreto que o namorado mantinha sobre sua filha e ia entregar cartas que incriminavam Humbert Humbert à polícia. Ou seja, Lolita foi enganada para sair do acampamento e seguir com seu “pai” por uma “viagem” (bem entre aspas mesmo, viu?) de um ano pelos Estados Unidos. Ficando em hotéis de beira de estrada e falsificando nomes, literalmente fugindo com a menina do país, usando pílulas para fazê-la dormir e poder tocá-la, ou melhor, tentando. 

 

Parte II 

 

Durante o tempo que ficaram na estrada, Humbert se mostra cada vez mais possessivo com Dolores, a enchendo de roupas, revistas e comidas, a manipulando em troca de satisfação sexual. Lolita se demonstra cada vez mais irritadiça com o “pai” e insiste em se estabelecer em uma cidade, numa casa e escola, como uma adolescente normal, Humbert acaba cedendo e Beardsley é o destino. Lô começa a estudar em uma escola para meninas, fazendo amigas e participando de uma peça da qual lutou para participar, porém tendo um comportamento sexual reprimido por “H.H”. Sendo proibida de se aproximar de garotos da sua idade, começa a bolar um plano com o diretor da peça, coisa que nem se passa na cabeça do nosso narrador. Certo dia Lô e Humbert tem uma grande discussão e a garota acaba fugindo, sendo perseguida pelo homem até ser vista fazendo um telefonema. De repente há uma grande mudança, ela desiste da peça que tanto queria, e pede para ele que partam imediatamente em uma viagem pelo país de novo. 

 

 Um comportamento paranóico é observado em Humbert, quando ele se sente perseguido por vários carros, mas todos com o mesmo motorista desconhecido. Depois de algum tempo de viagem, Dolores adoece e tem que ir para o hospital, com seu abusador cada vez mais afundado na paranóia que ela iria fugir. E ele estava certo. Quando chega de manhã no hospital, ela tinha recebido alta e ido com o “tio” para o sítio do “avô”, o que é uma puta história mal lavada, pois Lolita havia fugido com Clare Quilty, o diretor da peça da escola, mas Humbert Humbert não sabe disso. Fica sem saber o paradeiro da garota, a procurando, até ela ter dezessete anos e lhe enviar uma carta, contando que ela estava sem dinheiro e precisava de ajuda para mudar-se. O homem então descobre seu paradeiro e vai até lá, encontrando uma Dolores grávida e com o marido, que não era seu raptor, fingindo que Humbert é seu pai e que se seu passado nunca existiu. Ele pede para ela partir e viver com ele, mas ela nega ficando somente com o dinheiro e finalmente revelando quem a levou. 

 

Humbert então segue em uma jornada furiosa para achar e matar Quilty, encontrando o homem em sua casa, drogado e bêbado. Clare tem um comportamento debochado, quase desacreditando que Humbert vai realmente matá-lo, tenta subornar seu assassino, mas acaba morrendo de uma forma lenta e teatral. Nosso narrador entra em um estado de choque e dirige loucamente pelas ruas e acaba sendo preso. Na verdade o livro começa com ele escrevendo da prisão, admitindo seus erros com Lolita, mas nunca negando sua paixão doente pela menina. Ao longo da história vemos que o Humbert Humbert não é um narrador confiável, ele já teve vários colapsos mentais e aprendeu a manipular os psiquiatras. Mas o mais importante: em todo o decorrer do livro só ouvimos a narrativa dele, Lolita é silenciada, não sabemos o que se passa em sua cabeça e como se sente em relação a tudo que acontece.

 

Esse é um livro com muito jogo psicológico, onde Humbert põe tantos floreios que muitas pessoas romantizam o abuso de Lolita, ele tenta te fazer acreditar que o amor dele é o mais puro durante o decorrer das páginas. Mas ao mesmo tempo te joga todos os ocorridos na sua cara para te fazer sentir nojo de Humbert e ver que ele é um pedófilo. O livro vem como uma denúncia a esse comportamento para mim, e quem sabe se o Kit Gay fosse implantado meninas e meninos poderiam denunciar esse abuso, com adultos responsáveis e atentos aos detalhes! 

 

 

 

 

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