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Fantasmas também escrevem

 

 

Era o segundo dia do Flipoços 2019, eu havia acabado de voltar de uma viagem e já com uma palestra do evento para cobrir. Peguei meu crachá, um bloquinho, uma caneta, torci para que tivesse memória na câmera e corri. Cheguei atrasado. E acredito que seja essa também a sensação de um leitor ou escritor de biografias, de que você chegou atrasado na vida de alguém. 

 

Marcelo Cândido de Melo é um ghostwriter, isto é, um profissional que não recebe créditos pela autoria do que escreveu, muitas vezes isso significa anonimato, no seu caso escreve a biografia de outras pessoas. Na palestra realizada no Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas,“O que aprendi escrevendo sobre a vida dos outros”, ele apresentou seu viés filosófico e moral para o trabalho que faz. 

 

Pelo pouco tempo em que estivemos em contato, pude perceber que fala super bem e é capaz de dominar a atenção dos espectadores. Sua visão de mundo é interessantíssima e está lançando seu primeiro livro de ficção após dez anos escrevendo biografias, Eu Não Sei Ter.

 

Marcelo Cândido narra neste livro conflitos familiares e sociais pelo ponto de vista de um protagonista questionável, segundo o próprio autor, a história é intimista e apresenta diversos detalhes sobre o comportamento humano. 

 

Cada slide de sua palestra apresentou um aprendizado e uma vivência adquiridos com os anos de trabalho, a partir deles pôde fornecer lições valiosas tanto para os escritores quanto para quem deseja uma vida melhor.  

 

Dentre algumas de suas ponderações está a relação com tempo. Segundo ele, é importante assumir a naturalidade do nascer, do envelhecer e do morrer, deve-se enxergar a beleza de cada fase da existência. Marcelo Cândido também citou o filme Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman, no que diz respeito ao conflito entre a juventude e a velhice. 

 

Ele também disse que é necessário possuir vários bffs, ou seja, vários melhores amigos, já que você só aprende e adquire mais experiências convivendo com diferentes tipos de pessoas. Afinal, como já cantou Tom Jobim, “É impossível ser feliz sozinho”.  

 

E ainda expôs sua visão existencialista e niilista do mundo, afirmando acreditar que a vida se resume ao Mito de Sísifo. A história conta sobre um personagem da mitologia grega obrigado a empurrar repetidamente uma pedra morro acima, para que, no final, ela caia de novo. Tal lenda revela a ausência de sentido existencial e que nos resta apenas persistir. O escritor apontou para os perigos das supostas soluções fáceis e ainda sobre o equilíbrio do ego, necessário para que este não se torne um veneno.

 

Deixando um pouco de lado as questões morais e filosóficas, Marcelo Cândido comparou uma biografia com uma autobiografia, propondo um exercício criativo. A atividade consistia em imaginar qual seria o título de nossa biografia, quem escreveria, como seria a capa e se nossa vida realmente teria valido a pena. 

 

A palestra terminou com a leitura de seu poema extremamente reflexivo “Agora eu quero o fim da fila” e com o conceito de que a melhor biografia é aquela que se aproxima de uma narrativa emocional, afinal, trata-se de uma história que realmente aconteceu. Escrever e ouvir outras histórias é uma terapia, livros são o antídoto contra o excesso de vaidade. Finalizo aqui sem mais atrasos com uma frase de Eu Não Sei Ter, “Melhor enfrentar o medo e chorar de emoção do que enfrentar o arrependimento e chorar de tristeza”.

 

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