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O Hamilton Brasileiro

 

Cada um de nós tem seus próprios heróis e vilões históricos, eles fazem parte do mito coletivo, refletem a mente do povo, das tradições e do cotidiano de uma sociedade. Contudo, esquecemos que tais indivíduos também foram “meros mortais” como nós, e, a partir do momento em que nos aproximamos deles, percebemos seus verdadeiros aspectos positivos e negativos.

 

José Bonifácio, por exemplo, estudioso, grande orador e viajante. Descobriu e nomeou os elementos minerais: Pentalina, Escapolita e Criolita. Assinou, ao lado de Leopoldina o decreto de Independência do Brasil  postumamente entregue a Dom Pedro Foi um grande defensor ecológico, além de apresentar traços contra a escravidão de africanos e indígenas. 

 

Mas também possui um lado menos comentado, era mulherengo e dizia que as moças eram “sua perdição”; no campo político defendia a monarquia e enxergava a democracia como algo sujo e repugnante, sem falar que utilizou de perseguição e de exílio contra aqueles que considerava inimigo.     

 

A figura de José Bonifácio assemelha-se ao estadunidense Alexander Hamilton. O norte-americano foi grande aliado de George Washington para a Independência das 13 Colônias e estabeleceu o Primeiro Banco dos Estados Unidos. Hamilton ganhou um renomado musical na Broadway realizado por Lin Manuel Miranda. Tal espetáculo procura apresentar uma visão realista do indivíduo histórico, com suas imperfeições, falhas e conquistas.

 

A dualidade da História foi o tema do bate-papo “Cruzando Fronteiras entre o Novo e Velho Mundo” do Flipoços 2019.  A escritora Mary Del Priore falou de seu livro “As Vidas de José Bonifácio” com um paralelo aos dias de hoje. Ela afirmou que deve-se olhar para o passado com o contexto do presente, já que convivemos com os mesmos velhos problemas na sociedade. 

 

No debate, a plateia ficou repleta de murmúrios e reações de surpresa enquanto  Mary Del Priore falava da verdadeira face de José Bonifácio. Mas avisou que nenhuma biografia é definitiva, os bons livros sempre apresentam informações novas e devem ser tratados como um celular, ou seja, um objeto de constante uso e consulta. 

 

Segundo a escritora, as melhores biografias são aquelas que lembram um romance ficcional, que atraem o leitor. Trata-se da narração de um fato que realmente aconteceu. Por isso manteve em mente qual seria a sensação de um estrangeiro brasileiro na Europa enquanto narrava as pesquisas de Bonifácio, por exemplo. E essa é a subjetividade de qualquer personagem, seja ele real ou não. Estamos cercados por imperfeições e qualidades morais, devemos apenas saber escolher, afinal, a civilização futura também, em algum momento estará nos observando.

 



 

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