18 Nov 2019

Please reload

Posts Recentes

5 Filmes Inspirados em Livros

9 Nov 2017

1/4
Please reload

Posts Em Destaque

Era Uma Vez... no Mundo de Tarantino

 

 

“Filmes violentos não fazem crianças violentas. Podem fazer cineastas violentos, mas isso é outra questão” - Quentin Tarantino. 

 

Eu não caí de paraquedas no mundo de Quentin Tarantino, mas sim fui atropelado violentamente por ele. Há algum tempo, eu estava numa fase de faroeste e, após maratonar os antigos filmes de Clint Eastwood, resolvi assistir a alguma produção moderna do gênero, o filme escolhido foi um tal de “Os Oitos Odiados”. A conclusão brutal e sangrenta, em contraste com os diálogos elegantes do início me apresentaram a uma nova forma de se contar histórias.

 

Não é necessário se aprofundar muito no tema para descobrir que Quentin Tarantino é, assim como todos nós, um grande fã de cinema. Ele devorou quase todos os filmes da locadora que trabalhava, realizando assim o seu primeiro projeto: Cães de Aluguel. Mas poucos também sabem que o mundo da literatura foi uma grande inspiração para seu trabalho. Tanto que deseja dirigir somente dez filmes para dedicar-se aos livros.

 

A influência mais clara foi no seu segundo filme, Pulp Fiction, já que o título é uma alusão àquelas revistas de baixo orçamento da época, cuja única forma de atrair os leitores era incluir violência e erotismo em suas páginas. A palavra inglesa “pulp” refere-se à massa da madeira que origina o papel barato. Foi com tal projeto que o diretor alcançou o estrelato, venceu o Palma de Ouro no Festival de Cannes e em 2019 comemora 25 anos deste feito.

 

Jackie Brown, por sua vez, foi um filme totalmente inspirado no romance “Rum Punch”, escrito por Elmore Leonard. Tarantino sempre foi fã do escritor, principalmente para narrar crimes e suspenses, algo incluso em basicamente todas suas histórias. No caso de Jackie Brown, o autor mudou a etnia dos personagens para homenagear o Blacksploitation, narrativas urbanas focadas em pessoas negras. 

 

Logo foi a vez de Kill Bill, sua versão das grandes histórias de samurai e vingança, aqui o diretor chegou ao seu ápice em cenas de ação e coreografias, a história foi dividida em duas partes, repleta de referências como trechos inspirados em mangás, a presença do famoso figurino de Bruce Lee e, até mesmo, analogias sobre as HQs do Superman. 

 

Além disso, o artista se uniu a Robert Rodriguez para a criação do Projeto Grindhouse, seria uma retomada dos filmes B e das HQs sensacionalistas dos Estados Unidos, cada um realizaria uma história com essa temática. Enquanto Quentin fez À Prova de Morte, seu colega realizou Planeta Terror.  Ainda tivemos Bastardos Inglórios, na película o diretor reescreve as conclusões da Segunda Guerra Mundial, apresentando assim novos suspenses e viradas narrativas, a construção de atmosfera de perigo aqui é impressionante. E por último em Django Livre, Tarantino pegou emprestado o título de um filme famoso de faroeste para expor sua crítica severa contra o racismo, sua maior indignação. A história ganhou uma adaptação para as HQs ao lado do personagem Zorro. 

 

Nove filmes e um legado

 

Como pôde perceber, Quentin Tarantino é uma máquina de referências da literatura e do cinema. E em agosto deste ano (2019) foi lançado seu nono filme, “Era uma Vez em Hollywood”, muitos críticos disseram que tal produção, já exibido previamente no Festival de Cannes, foi a carta de amor dele para o cinema americano clássico. O intuito de Quentin foi mostrar a rotina conturbada de Hollywood nos anos 60, à la Ave Cesar dos Irmãos Coen, em paralelo com o assassinato da atriz Sharon Tate, interpretada por Margot Robbie, pelo grupo fanático de Charles Manson. Estrelando também os mestres Leonardo Dicaprio, Brad Pitt e Al Pacino. Sem falar da recriação de figuras marcadas da época, como Bruce Lee. Porém, não devemos esperar muita fidelidade com os fatos reais, já que Tarantino adora moldá-los à sua maneira.     

 

Muitos dizem que o diretor sabe dirigir apenas violência. Todavia ele já provou ao longo de toda sua carreira que seus temas são, na verdade, uma exposição de tudo que ele considera errado no mundo. Tratou de temas como machismo, holocausto, racismo e perseguição de uma forma que o público se sinta atraído para as salas de cinema. Qual a razão de dirigir filmes extremamente densos e complexos sendo que ninguém quer assisti-los? Além disso, qual o problema de fazer um filme “pipoca”, mas que também forneça uma reflexão? As verdadeiras grandes histórias precisam encontrar o equilíbrio entre a crítica e o entretenimento, e posso garantir que Quentin Tarantino, antes espectador do que cineasta, sabe exatamente o que quer na tela, assim como seu público também sabe. 

 

Ainda posso comentar sobre diversos outros aspectos do diretor, como seus diálogos extremamente bem trabalhados, inesquecíveis e geniais, e também sobre as trilhas sonoras elaboradas como parte de seu processo criativo, já que até mesmo Ennio Morricone nos presenteou a composição da trilha de Os Oitos Odiados. Estou ansioso para Era Uma Vez em Hollywood e duvido que daqui a alguns anos Tarantino abandonará o cinema, ele que sonhava em ser ator, encontrou seu lar na direção. Já anunciou um projeto para Jornada nas Estrelas e apenas sua mente pode prever o que está por vir. Mas, independente de seu futuro, já entrou para a história como um dos melhores diretores de todos os tempos e influenciará uma nova geração “violenta” de cineastas. 

 

Please reload

Please reload

Arquivo
Logo-Revista-02.png