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Cowboys sem fronteiras

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Faroeste, “western”, ou simplesmente Velho Oeste, é sem dúvida um dos gêneros da ficção mais cultuados de todos os tempos. Chega a ser estranho pensar que “apenas” um período histórico tenha gerado tantas narrativas e mitos. Não temos, por exemplo, um gênero “Grécia Antiga” ou “Revolução Francesa”, por mais grandiosas que essas épocas possam ter sido. O diferencial do Faroeste é percebido quando procuramos por obras “estrangeiras” sobre o tema. 

 

As produções norte-americanas sobre suas próprias épocas costumavam ser repletas de glórias, conquistas e sobre um suposto ideal de “sonho americano”. Acontece que o Faroeste rapidamente tornou-se o queridinho dos patriotas lá de cima, pois foi quando os Estados Unidos teve em posse territórios novos, principalmente provenientes do México. O governo começou a pagar para quem procurasse ouro nessas “terras sem lei”, justamente para onde os povos indígenas tinham recuado após o surgimento das 13 Colônias ao leste. 

 

Então era isso, o cenário de Faroeste foi estabelecido, cidades pequenas começaram a surgir perto das mineradoras. Devido a distância dos centros urbanos do noroeste, praticar crimes tornou-se muito mais fácil e foi necessário armar os proprietários de terra e os donos de gado, os famosos cowboys. O governo acabou, por fim, instituindo os xerifes e os texas rangers para tentar controlar a zona rural que estava se formando. Eventualmente a industrialização chegou no lugar, com as locomotivas. E figuras como Billy The Kid e Buffalo Bill foram suficientes para idealizar a figura do herói e do vilão, nascendo assim a primeiras histórias. 

 

Filmes, quadrinhos e livros chegaram a todo vapor depois desta época. Homens destemidos lutando contra povos indígenas malignos, roubando trens, explodindo lugares, duelando contra quem quisesse, e ainda tinham escravos felizes com a própria condição. Tudo uma farsa, uma maquiagem para esconder um dos piores momentos da história dos Estados Unidos.

 

Os países “estrangeiros” sabiam disso como ninguém e, após um filme mais alternativo do americano John Ford, “O Homem que Matou Facínora”,  eles resolveram contar sua própria versão desta história, mais realista e crítica. Algo realizado postumamente pelo próprio EUA nos dias atuais, como "Django Livre", de Quentin Tarantino, e "A Balada de Buster Scruggs", dos Irmãos Coen.

 

Sergio Leone foi um dos maiores nomes do movimento, o diretor italiano uniu a temática americana com os filmes do japonês Akira Kurosawa. Estrelado por Clint Eastwood, os filmes de Leone moldaram tudo de faroeste que viria depois, até mesmo aqui no Brasil. 

 

 O Gatilho 

 

Fiz toda essa introdução para comentar sobre uma grande história em quadrinhos nacional relativamente recente chamada O Gatilho.  Escrita por Carlos Estefan e ilustrada por Pedro Mauro, artistas que conheci pessoalmente na feira de São Paulo, Comic Con Experience, a HQ é violenta, imoral, crítica e curiosamente nostálgica.

 

Ambos consumiram diversas obras do gênero faroeste e se inspiraram totalmente nos clássicos. Se basear tanto em outras histórias poderia tornar a HQ clichê e previsível, mas eles sabiam muito bem disso. Utilizaram justamente o pré-conhecimento dos leitores como uma ferramenta para subverter a expectativas.

 

A história é curta, simples e é capaz de ser lida em menos de 15 minutos. Uma leitura rápida, mas que esconde muitos detalhes narrativos nas entrelinhas. Tais detalhes se encontram tanto na arte, quanto nos trejeitos dos personagens. Sendo assim necessário ser lida mais de uma vez, nem que seja para apreciar as incríveis ilustrações com traços “em rabisco” de Pedro Mauro.

 

Enfim, apesar de ter um contexto norte-americano, O Gatilho possui temas universais. É uma história sobre a degradação humana, sobre como idealizamos o passado e sobre os limites da humanidade. Se o Brasil, um país tão rico em narrativas, soube tratar tão bem um tema estrangeiro, imagina o potencial das outras HQs que estão escondidas entre as nossas prateleiras...

 

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