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O Terror Ganhou Tentáculos

 

 

“Vivemos numa ilha plácida de ignorância em meio a mares negros de infinitude e não somos destinados a ir muito longe. (...) Mas algum dia, a reunião do conhecimento dissociado revelará paisagens tão terríveis da realidade e de nossa pavorosa posição nela que ou enlouqueceremos com a revelação, ou fugiremos da luz mortífera em direção à paz e segurança de uma nova era das trevas”.

 

Foram com essas palavras que Howard Philips Lovecraft iniciou seu mais famoso conto “O Chamado de Cthulhu”, publicado em 1928. Muitos não devem reconhecer esse nome, mas com certeza já respiraram o ar lovecraftiano, seja lendo Stephen King, com It- a coisa ou “O Nevoeiro”, ou também lendo Neil Gaiman, com “Um estudo em Esmeralda” ou “Os Eternos”. Por intermédio de diretores como John Carpenter, “Um Enigma de Outro Mundo”, Ridley Scott, “Alien- O 8° Passageiro”, Stanley Kubrick, “O Iluminado” e “2001- Uma Odisséia no Espaço”, Guillermo Del Toro, “Hellboy” e que também sonha adaptar para o cinema algum dos contos de HP Lovecraft. Essa temática também inspirou toda uma geração de podcasts, games, como Bloodborne e Warcraft, bandas musicais, como Black Sabbath e Metallica, e até mesmo séries como Stranger Things, True Detective e Rick and Morty.

 

Como pode perceber HP Lovecraft é um coringa na cultura pop atual, sua marca está presente em todos os lugares, mas afinal por que ele é tão importante? Porque ele escolheu ir contra ao terror clássico e criar algo totalmente novo. Esqueça vampiros, demônios, fantasmas, criminosos convencionais e esqueça também protagonistas refinados da alta aristocracia inglesa. Existiram apenas dois autores que o influenciaram de fato: Edgar Allan Poe, mestre na escrita de histórias curtas e assustadoras, e Lord Dunsany, um dos primeiros autores a criar um universo fictício próprio e que alcançou primazia para narrar viagens oníricas. Esses dois autores foram as bases para a criação do horror cósmico. 

 

O Horror Cósmico

 

O gênero trata da crise existencial diante do universo. Qual seria a verdadeira fronteira final para a humanidade? Será que conhecemos de fato o espaço? Qual o nível de nossa impotência?  E a partir dessa vertente niilista que Lovecraft brinca com a nossa percepção de realidade, os delírios da mente humana. Esse tema poderia ter sido algo bonito e meramente reflexivo nas mãos de outros autores, mas ele acrescentou um novo questionamento: e se descobrirmos que o universo está repleto de criaturas tão bizarras que a mente humana não seria capaz de concebê-las? E se tudo que sabemos sobre a vida e a história do planeta Terra fosse falso? 

 

É nesse ponto que a crise existencial transforma-se no medo do desconhecido, a base de todos os horrores, segundo próprio “autor cósmico”. Ele cria assim uma hierarquia de criaturas tão antigas quanto o próprio universo e que enxergam a humanidade como formigas. Lovecraft não dominava tão bem as palavras quanto outros autores, mas conhecia o poder dos adjetivos. Quanto menos o autor descrevia tais seres, mais assustadores eles se tornavam, focando assim nas reações dos protagonistas, porque, afinal, todas as suas histórias são em primeira pessoa, subjetivas e abstratas. 

 

O Universo Lovecraftiano

 

Arkham é uma cidade fictícia onde se passa muitas de suas histórias, o local inspirou a DC Comics para criar o famoso asilo de Batman. Temos também Necronomicon, um livro escrito pelo “Árabe Louco” e que contém todas as informações sobre os seres cósmicos, o livro teve sua aparição de destaque no filme The Evil Dead. Cthulhu é uma das únicas criaturas que permaneceu na Terra, ele dorme na cidade de R´lyeh, nos oceanos, e é descrito com um rosto de polvo e com asas de dragão. Muitos sonharam com essa criatura que, ou enlouqueceram, ou formaram um grupo do Culto ao Cthulhu, este último almeja pelo dia em que ele acordará e dominará a todos. Seu nome não possui pronúncia correta nas cordas vocais humanas, assim como outros seres: Nyarlathotep, Azathoth, Dagon, Shoggoths…

 

E ainda temos Randolph Carter, o alter-ego de Lovecraft, suas histórias são registros de sonhos do próprio autor. Além da Universidade Miskatonic, onde estudou o personagem Herbert West, nessa história intitulada como “Reanimator”, o cientista realiza estudos com zumbis, uma das primeiras narrativas do gênero e que influenciou o diretor George A. Romero. Outros contos famosos são: “Nas Montanhas da Loucura”,”A cor que caiu do Espaço”, “Os Gatos de Ulthar”, “Celephais” e “Um sussurro nas Trevas”.

 

HP Lovecraft morreu em março de 1937, autor que cresceu lendo O Rei Amarelo, precursor do horror cósmico, que também foi um grande amigo de Robert E. Howard, autor de Conan, o Bárbaro, que por último foi um dos grandes nomes da revista Weird Tales, morre com muito pouco reconhecimento e endividado financeiramente. Foi somente após alguns anos que seu trabalho foi resgatado e ele se tornou um dos maiores nomes da ficção científica, da fantasia e do horror. Sua cidade natal, Providence, tornou-se um grande centro para os fãs de Lovecraft, local que o “escritor cósmico” sempre descreveu de uma forma macabra. Ele que sonhava em escrever poemas, encontrou seu lar nos contos, sua escrita moldou a percepção da sociedade sobre o espaço, sobre vidas alienígenas e sobre o que nos faz humanos.

 

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