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Guerra dos Tronos de Wakanda

 

 

Ele é um líder militar, político, religioso, habilidoso em combates físicos e detém das maiores tecnologias da civilização, seu nome é T’challa, o Pantera Negra. Criado por Stan Lee e Jack Kirby, o personagem foi uma resposta ao movimento dos Panteras Negras e aos conflitos raciais nos Estados Unidos dos anos 60. O personagem fora apresentado enfrentando o Quarteto Fantástico e nas futuras edições conhecemos o fictício país africano Wakanda, uma nação que, devido à sua filosofia estratégica e à forte presença do mineral Vibranium em seu território, jamais fora conquistado pelos europeus. Eles seguem uma religião ligada ao Deus-Pantera e nomeiam um líder, através de combates, para sua personificação terrena, liderando assim seu povo. Pantera Negra, portanto, não é apenas um super-herói, mas também veste o manto tecnológico de um imperador, ele entra para a equipe Vingadores justamente para vigiá-los, já que muitos países almejam as riquezas de seu estado. 

 

Como pode perceber, suas narrativas são baseadas em intrigas políticas e em manipulações governamentais pela posse do trono, tanto por dentro quanto por fora de Wakanda. Mas suas histórias nem sempre foram assim. Ele sempre manteve sua pose de “Capitão América Africano”, recebendo acréscimos ao longo dos anos, porém muitos ainda lembravam dele como um mero coadjuvante de poucas palavras dos Vingadores. Isso mudou definitivamente quando Reginald Hudlin em 2010 focou-se nas “Guerra Dos Tronos de Wakanda”. Ao lado do desenhista John Romita Jr, o quadrinho formou a concepção do filme de 2018, dirigido por Ryan Coogler, que venceu três categorias no Oscar.

 

Hudlin escreveu essa história com uma única pergunta em mente: “Quem é o Pantera Negra?” frase que nomeou todo esse arco dividido em seis partes. A história é grande, épica, repleta de elementos, alguns propositalmente toscos, como robôs-zumbis dos Estados Unidos. Porém, cada trecho possui seu motivo crítico, seja à religião, ao intervencionismo norte-americano em países “emergentes”, à economia atual, ao jogo de interesses mundiais e, é claro, ao racismo. 

 

E dessa temática crítica que podemos entender o destaque do filme Pantera Negra em comparação com os outros super-heróis. É um baita filme, apresenta dilemas morais, vilões interessantes, estética e visual únicos, ambos inspirados no Afrofuturismo. Assim como Cyberpunk e Steampunk, o Afrofuturismo é um universo ficcional tecnológico que, nesse caso, adquire o visual das culturas africanas. Existem outros filmes de super-heróis melhores narrativamente e que receberam menos destaque, o estrelato de Pantera Negra ocorre porque ele está falando conosco, ele coloca um espelho para a nossa civilização e nos julga severamente. Não se trata apenas da história, mas sim do que ela representa. Sem falar de que agora teremos mais crianças negras se inspirando em um herói tão grandioso, gênero majoritariamente formado por personagens brancos.   

 

Enfim, os quadrinhos “Quem é o Pantera Negra?” são uma ótima forma de reflexão e de entretenimento, com a aparição de figuras famosas como Rhino, vilão do Homem-Aranha, do Capitão América, do Garra Sônica, antagonista do T'challa, interpretado por Andy Serkis no longa, além de uma homenagem ao Nelson Mandela. Foi essa história que se criou os mandamentos mais importantes do herói, então se você nunca leu Marvel, é uma boa pedida. Finalizo aqui com uma frase dita pelo antigo imperador de Wakanda quando ele nega vender sua tecnologia e é insultado durante uma conferência internacional: “Vocês poderiam ter alcançado metade das inovações sozinhos, mas há muito dinheiro para se ganhar com a miséria. Por que curar uma doença quando as pessoas pagam pelos remédios? (...) Eu entendo sua frustração em lidar com um homem negro que não pode ser comprado com um caminhão cheio de armas, um avião cheio de loiras ou uma conta bancária na Suíça. Mas atenha-se à pouca classe que você tem. Esta reunião acabou.”           

 

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