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“A morte é um mistério; o sepultamento, um segredo”

 

 

O Cemitério (no original: Pet Sematary), datado de 1983, é o primeiro contato que tenho com a obra do aclamado Stephen King. Consciente do teor assombroso do livro, mergulhei na leitura já esperando certas sensações: tensões musculares, supressões involuntárias da respiração e aquele receio de virar a cabeça e ver algo inesperado ao meu lado. Confesso que, em certos momentos, experimentei tais efeitos. Contudo, o livro me agradou e me surpreendeu porque, embora sua temática seja típica de um terror sobrenatural, a leitura afetou muito mais meu psicológico do que meus reflexos sensoriais.

 

King aborda um dos assuntos que mais gera tabus e mistérios em nossa cultura ocidental: a morte. Embora seja algo que todos enfrentaremos um dia, ainda é um assunto rodeado por especulações, discussões e, é claro, pelo medo. Para grande parte das pessoas, a palavra em si já carrega uma série de conotações semióticas negativas – ambientes sombrios, tonalidades escuras, simbolismos macabros. E se a morte é algo temível e inevitável, como lidaríamos com a possibilidade de burlá-la para conquistar uma segunda chance?

 

É em torno desta tentadora indagação que a obra desenvolve sua trama. No início do livro, o autor trabalha a construção do psicológico complexo do protagonista, Louis Creed, por meio de situações íntimas e rotineiras de uma família. O lado humano e falho de Louis, unido à linguagem irônica e despretensiosa utilizada por King, causam no espectador certa identificação, além de evitar a construção de um pai de família perfeito, amável e idealizado. Pelo contrário: no auge de uma mudança de emprego, o médico se vê em meio ao estresse de uma nova casa, uma nova rotina e todas as adaptações que envolvem uma transição como essa, acompanhado da esposa, dois filhos pequenos e um gato de estimação.

 

King explora com destreza o enredo, sabendo perfeitamente como tornar a leitura dinâmica e interessante. Não se alonga em elementos desnecessários, mas descreve com detalhes aquilo que é de interesse do leitor. Sabe utilizar das palavras para construir o clima de cada cena, nos conduzindo como marionetes àquilo que ele deseja que sintamos – e embora essa frase soe estranha, devo dizer que não é uma experiência ruim.

 

Conforme Louis passa a afundar no luto, na obsessão e na insanidade, somos levados junto a ele, experimentando as mesmas sensações. É o tipo de livro que você fecha e sente aquele receio de dormir, pensando: “ah, não vai fazer mal se eu ficar com a luz acesa por mais uns minutinhos”. Parar a leitura não faz com que a história saia da sua cabeça, e você fica pensando nos acontecimentos mesmo sem estar lendo – ou ao menos foi o que aconteceu comigo.

 

À medida que acompanhei o desenrolar de todos os infortúnios vividos por Louis, fiquei cada vez mais presa à leitura. Virei duas madrugadas acordada, sem conseguir me desligar da história. Foi um livro que não me deu vontade de pular capítulos ou passar o olho rapidamente por algumas passagens menos importantes – o que acontece às vezes, rs. Apreciei cada página, ansiosa pelo desfecho e pelo próximo passo do protagonista.

 

Recomendo imensamente O Cemitério a todos os amantes do terror e, especialmente, àqueles que desejam iniciar a leitura das obras de Stephen King. Uma história para não colocar defeitos e me arrisco dizer: um forte candidato à sua lista de leituras favoritas.

 

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