18 Nov 2019

Please reload

Posts Recentes

5 Filmes Inspirados em Livros

9 Nov 2017

1/4
Please reload

Posts Em Destaque

O Cinema é Humano

29 Nov 2019

 

 

No sábado, dia 23 de novembro, o Palace Cassino foi o palco responsável por revitalizar a arte do cinema entre os alunos da Escola Estadual David Campista em forma de denúncia e crítica social. Os estudantes do colégio realizaram uma série de curtas-metragem com base na temática dos Direitos Humanos. As histórias foram exibidas e avaliadas por um Júri para premiações específicas, como “Melhor Produção”, “Edição”, “Atuação”, “Maquiagem” “Caracterização”, “Trilha Sonora”, além do “voto popular” para a classificação do “Melhor Filme”.

 

Eu fui um dos jurados, representando a Revista Página 9 ¾. Analisei, ao lado de mais três pessoas, a categoria Produção dos filmes, isto é, organização, cenários, efeitos práticos, enfim, tudo que compõe o universo das histórias. Foi super bacana participar de algo assim, a sensação era como se estivesse no evento do Oscar. Mesmo sabendo quais seriam os trabalhos premiados, senti todo o suspense dos alunos na hora da distribuição das “estatuetas”. Aliás a energia do público era muito forte, para cada anúncio existia uma emoção diferente. 

 

Apesar da escola ser localizada no centro da cidade, a maioria dos alunos são residentes de diferentes bairros, isto cria uma diversidade de experiências vindas de casa para a instituição. Foi a partir desse fato que o projeto cinematográfico começou, já que as temáticas dos trabalhos são relacionadas com aspectos relevantes da nossa sociedade, portanto, os projetos de cada grupo seriam únicos! 

 

Acredito que o cinema seja uma das formas de arte mais fáceis de se consumir, isso inclui filmes, séries, novelas, entre outros. Por essa razão, seu papel social é muito grande, e utilizar a “sétima arte” como uma ferramenta de debate, choque e reflexão é sempre muito interessante. O tema Direitos Humanos abre portas para muitas possibilidades, e no evento vimos diferentes reflexos da sociedade: racismo, LGBTfobia, machismo, falta de privacidade na Internet, moradores de rua etc. 

 

Alguns curtas foram muito positivos e esperançosos, já outros não vinham com o famoso “final feliz”. Queria que todas as histórias terminassem bem, uma fuga fantasiosa de minha mente, um sonho utópico que certas comunidades sequer podem ter hoje. Mas uma coisa todos os projetos tinham em comum: nos inspiraram para levantar a voz em prol das ainda chamadas de  minorias. 

 

É importante lembrar que o termo “minoria” nunca referiu-se a dados demográficos, mas sim quanto ao protagonismo social. Ou seja, eles nunca foram pequenos grupos fechados, hoje a população brasileira é composta por 54% de negros e por 10% de membros da comunidade LGBT. Sem falar de questões econômicas, os índices de pessoas na extrema pobreza indicam 15,2 milhões.  

 

Isso significa que os movimentos em defesa dos Direitos Humanos causam impacto no Brasil e devem se perpetuar, principalmente, no meio artístico. Lembro-me do curta Dandara que teve uma pessoa trans no papel principal e recebeu o prêmio de melhor atuação. Quantos outros talentos não estão ocultos pelo preconceito? Isso também inclui o papel feminino na sociedade que fora limitado por séculos. “A violência contra a mulher” foi tema do primeiro evento cinematográfico do David Campista, no ano passado, mas ele retornou em diversos trabalhos neste ano. 

 

Finalizo aqui com algumas palavras da supervisora pedagógica Ana Paula Dinali:  “A produção desses vídeos, desde a primeira edição, causa um impacto muito positivo na vida dos estudantes, pois percebemos claramente a diminuição de práticas machistas e homofóbicas na escola. Percebemos também o aumento do protagonismo e do respeito à diversidade, os estudantes passaram a conhecer melhor os seus direitos e conseguem ter maturidade e criticidade para cobrá-los!”.

 

Please reload

Please reload

Arquivo
Logo-Revista-02.png