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E se a Marvel fosse de Shakespeare?

 

 

A civilização estava mudando, novos mundos foram descobertos, novos regimes políticos formados, novas tecnologias criadas e novas crenças fundamentadas. O início de uma era, a era dos heróis - pelo menos era nisso que a população da Era Elisabetana acreditava. Não existiam mais limites nos mapas com o conhecimento da América, a Igreja Católica não era mais suficiente para certas indagações e o poder de fogo dos exércitos estava em seu auge. Todos percebiam algo diferente, mas continuavam a viver nos moldes medievais, até mesmo as guerras com pólvora eram travadas de uma maneira ultrapassada. A época assemelhava-se muito às histórias da Era de Ouro dos Quadrinhos da Marvel, uma fase de maravilhas e descobertas super-humanas, mas que não influenciava toda população.

 

Neil Gaiman, famoso escritor de Mitologia Nórdica  e Sandman, percebeu isso quando escreveu “1602”, uma história que nos leva a imaginar como seriam os personagens Marvel na Era Elisabetana. A obra nasceu quando o autor britânico assinou um contrato com a editora para duas narrativas, além dessa, ele também revitalizou o grupo cósmico “Os Celestiais”.

 

Porém, vamos com calma… no momento em que Neil pensava no que escrever para a Marvel, muita coisa passou pela mente dos fãs: Dr.Estranho, Motoqueiro Fantasma, Thor, mas tais especulações mudaram de figura com o ataque das Torres Gêmeas. Ele agora não queria fazer uma história sobre os personagens em Nova York destruindo tudo, e começou a refletir sobre o legado da editora. Queria criar uma história nova, mas que desse um sentimento de nostalgia, ou seja, que o lado épico e virtuoso dos heróis voltasse.

 

E decidiu contar sua própria versão da Marvel, uma página em branco, uma outra época, em um outro país. Estamos falando da Inglaterra, no fim da Dinastia Tudor, aquela da série de mesmo nome e das peças de Shakespeare, quando o Rei Jaime I herdou o trono da Rainha Elizabeth I. O atual Rei era mal visto e alguns conspiradores tentaram matá-lo, incluindo Guy Fawkes, aquele do V de Vingança.  

 

Neil Gaiman deixa bem óbvio quem são alguns heróis, já outros são um pouco mais ocultos. Nick Fury é o Guarda da Rainha, Dr.Estranho o Mago do Reino, os X-Men são vistos como bruxos, logo, são caçados pela população. Demolidor é um arqueiro cego. O Quarteto Fantástico é um grupo que viaja por terras exóticas. Homem-Aranha é um jovem estudante fascinado por aracnídeos. E, é claro, Doutor Destino, governador maligno do país fictício Latvéria. Enfim, ainda existem muitos personagens que o autor demora revelar e quando menos esperamos, eles surgem na trama. 

 

É incrível como os heróis de “1602” lembram muito os da versão original, seja na personalidade, nos maneirismos ou nas habilidades. Mais precisos até que o Universo Noir, narrativa que imagina os personagens Marvel no contexto sombrio e urbano dos filmes de detetive. Sem falar na precisão histórica, influenciando constantemente os rumos da trama, enquanto lia, era como se estivesse assistindo o filme histórico “Barry Lyndon”, de Stanley Kubrick

 

Ainda nem falei da influência estadunidense nessa história. Quando Neil escreveu “Deuses Americanos”, teve que deixar muita coisa de fora, como a lenda indígena de Virgínia, uma misteriosa garota que ronda as florestas com habilidades transmorfas, agora incluída em “1602”. Por fim, Gaiman foi contra o padrão das histórias em quadrinhos Marvel, criou algo totalmente autoral, tão popular que a editora já está expandindo a ideia, adicionando novas páginas nesse universo. O que nos faz pensar: Quais são as outras infinitas possibilidades para subverter os cânones da cultura pop? O escritor britânico apenas olhou para o mundo, fez lhe perguntas e correu atrás das respostas. Tudo começa com um “E se?”, afinal, a imaginação vale mais do que o conhecimento, ela sempre foi e sempre será o combustível que impulsiona nossa sociedade. 

 

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